Qualidade de vida

Por que estamos comendo mais proteína, mesmo sem usar caneta emagrecedora 

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Se ultimamente você tem visto mais barrinhas de proteína e whey nas prateleiras do mercado, não é impressão sua. O consumo de proteína no Brasil disparou nos últimos meses, e já aparece até no rótulo dos produtos que você compra.

Parte dessa mudança começou nos consultórios, puxada pelo uso cada vez maior de canetas emagrecedoras como Ozempic e Mounjaro. Mas o efeito foi bem além de quem toma esses remédios, e entender o motivo ajuda a decidir se essa corrida faz sentido para você.

Tigela de vidro com coxa de frango crua, cubos de carne, ovo, brócolis e cenoura, fontes de proteína sobre mesa de madeira escura
Frango, ovo, carne e vegetais: a proteína que não depende de rótulo nem de suplemento | Designed by Magnific

De onde vem esse aumento no consumo de proteína

Semaglutida (Ozempic) e tirzepatida (Mounjaro) agem reduzindo o apetite, e é aí que mora o problema silencioso das canetas emagrecedoras. Com menos fome, a ingestão de proteína cai, às vezes em até 30% a 50% logo nos primeiros meses, justamente quando o corpo mais precisa dela.

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Isso importa porque uma fatia do peso perdido com esses medicamentos não é só gordura. A American Diabetes Association cita estudos em que a massa magra chega a responder por até 15% a 40% do total.

Pesquisas mais recentes, porém, sugerem que muito dessa perda de massa magra vem do fígado, não necessariamente do músculo.

É nesse contexto que, em julho de 2026, saiu o primeiro consenso internacional sobre o tema, publicado na The Lancet Diabetes & Endocrinology, colocando pela primeira vez musculação e proteína no centro do tratamento, não como recomendação secundária.

No Brasil, especialistas da SBEM já comentaram esse movimento, destacando que o foco sai do número da balança e passa a incluir a preservação de massa muscular como ponto essencial do cuidado.

Como isso foi parar no seu carrinho de compras 

Só que essa virada não ficou trancada no consultório médico. Ela pulou o balcão da farmácia e foi parar direto no carrinho de compras, inclusive no seu, ainda que você nunca tenha cogitado usar uma caneta emagrecedora.

E olha que o Brasil não fica atrás, pelo contrário: 5,5% da população já toma remédios como Ozempic ou Mounjaro, proporção maior que a média global de 3,7%, segundo a Euromonitor.

Um cruzamento de 13,5 bilhões de cupons fiscais, feito pela McKinsey com dados da Scanntech, mostra o tamanho disso no último ano:

  • Whey protein: alta de 124% em volume de vendas
  • Creatina: alta de 89%
  • Iogurte proteico: alta de 16%

O impacto vai além: pesquisa do Instituto Locomotiva mostra que 95% dos lares com usuários desses remédios reduziram o consumo de pelo menos uma categoria de alimento ou bebida, com quedas mais fortes em doce, salgadinho e bebida açucarada. 

Indústrias como JBS, M. Dias Branco (marca Jasmine) e Vida Veg já correm para lançar produtos ricos em proteína e fibra antes que a concorrência saia na frente.

Esse é só o começo, aliás: a patente da semaglutida no Brasil está prevista para expirar em 2026, o que tende a baratear o acesso às canetas emagrecedoras e empurrar mais gente para essa onda.

Você precisa mesmo comer mais proteína?

A resposta curta é: depende. A OMS recomenda 0,8 grama de proteína por quilo de peso por dia, o equivalente a cerca de 180 gramas de peito de frango para um adulto de 70 quilos, e isso já basta para a maioria das pessoas saudáveis.

Uma reportagem do Jornal da USP, baseada na Pesquisa de Orçamentos Familiares, confirma o padrão por aqui: mesmo entre os 20% mais pobres da população, só 3% consomem proteína abaixo desse nível. A lacuna real da dieta brasileira está em outro lugar: frutas, verduras e fibras.

Quem se beneficia de verdade com uma dose extra é um grupo mais específico:

  • Quem usa canetas emagrecedoras: precisa evitar perder músculo junto com a gordura
  • Quem é mais velho: enfrenta resistência anabólica, o que exige mais proteína por refeição para estimular a síntese muscular
  • Quem treina musculação pesada: tem uma demanda real maior para sustentar o ganho de massa

Não significa que aumentar a proteína seja ruim para quem está fora desses grupos, só que o ganho tende a ser bem menor do que a onda sugere. A decisão de entrar ou não nessa corrida é sua, mas agora com informação de verdade.

Como incluir mais proteína no dia a dia sem exagerar

Independente de estar nesses grupos ou não, dá pra mexer na rotina sem transformar proteína em obsessão nem depender de suplemento caro. Três ajustes simples já ajudam:

  • Priorize fontes naturais: ovo, feijão, frango, iogurte comum, em vez do produto ultraprocessado com selo “rico em proteína”
  • Distribua ao longo do dia: em vez de concentrar tudo numa refeição só, o corpo tende a aproveitar melhor em doses menores e mais frequentes
  • Combine com musculação: é a dupla que o próprio consenso internacional citado antes recomenda, não a proteína sozinha

O café da manhã costuma ser o ponto mais fraco nesse quesito no Brasil, um bom lugar pra começar: separamos algumas receitas pra incluir mais proteína logo cedo.

Fica o alerta: quem tem problema renal ou outra condição que exige controle de proteína deve conversar com um médico antes de qualquer ajuste, já que excesso nesses casos pode sobrecarregar os rins.

A ciência é real, mas não é pra todo mundo

Por trás da febre da proteína tem ciência de verdade, sim: o boom das canetas emagrecedoras e um consenso médico que só saiu esse ano.

De qualquer forma, isso não é regra pra todo mundo. Se você não usa caneta, não é atleta nem idoso, o seu prato como um todo importa mais do que o whey no carrinho. E não precisa se cobrar por isso.

As dúvidas mais comuns sobre proteína e caneta emagrecedora

Caneta emagrecedora faz perder massa muscular?

Sim, parte do peso perdido com essas medicações costuma ser massa magra, não só gordura. Estudos citam uma faixa de 15% a 40% do total, embora o assunto ainda gere debate entre pesquisadores.

Quanto de proteína preciso comer por dia?

A OMS recomenda 0,8 grama por quilo de peso corporal, o equivalente a cerca de 180g de peito de frango para um adulto de 70kg, mas grupos específicos precisam de mais.

Preciso comer mais proteína mesmo sem usar caneta emagrecedora?

Depende. A maioria dos brasileiros saudáveis já consome proteína suficiente. O aumento faz diferença real principalmente para quem usa GLP-1, é idoso ou treina musculação pesada com frequência.

Qual a diferença entre massa magra e massa muscular?

Massa magra é todo o peso corporal que não é gordura, incluindo músculo, ossos, órgãos e água. Massa muscular é só o tecido muscular, um dos componentes específicos dentro da massa magra.

Proteína em excesso faz mal?

Não há evidência forte de dano para a maioria das pessoas saudáveis com quantidades moderadamente mais altas. Rins comprometidos são a exceção: nesse caso, o ideal é ajustar a dose com acompanhamento médico.

Natalia Castilho

Olá, muito prazer. Me chamo Natália e tenho 26 anos, sou formada em jornalismo pela UNIFAAT e possuo MBA em Marketing pela USP-Esalq. Desde pequena eu AMO escrever, não foi a toa que eu escolhi trabalhar com comunicação, mas foi no marketing que me encontrei como profissional. Em 2019 eu passei 1 ano nos Estados Unidos e pude aprender inglês e estudar sobre marketing em Stanford (a realização de um sonho) e até hoje colho os frutos positivos dessa experiência. E é por isso que decidi fazer um mestrado no Canadá. Recentemente, em conversa com uma amiga, percebemos que estávamos perdendo tempo por não produzir conteúdo e foi assim que o Saúde em Pauta nasceu. Hoje, dedico meu tempo à criação de conteúdo para blogs, redes sociais e também trabalho com gerenciamento de projetos digitais (multi-tarefas que fala, né?). Estou animada para compartilhar meus conhecimentos aqui neste blog, quem vem comigo?