Hepatite B e C: as doenças silenciosas que afetam milhões de brasileiros
Hepatite B e C costumam avançar de forma silenciosa, sem sintomas, até o fígado já estar comprometido. Por isso, as duas ganham atenção especial no Julho Amarelo, campanha nacional que dedica o mês de julho às hepatites virais e reforça testagem, vacinação e tratamento.
No Brasil, mais de 1,2 milhão de pessoas vivem com hepatite B ou C sem saber, segundo estimativas do Ministério da Saúde. A seguir, você entende como cada uma se transmite, quais sinais costumam passar despercebidos e como se proteger com testes e tratamentos gratuitos pelo SUS.

Por que hepatite B e C são consideradas doenças silenciosas
A explicação está no próprio funcionamento do fígado. Ele consegue continuar trabalhando mesmo com parte das células danificadas, então a inflamação causada pelos vírus B e C avança devagar, sem dor e sem aviso.
É por isso que o vírus pode ficar ativo no seu corpo por anos, às vezes décadas, sem deixar rastro. Quando um sinal aparece, costuma ser vago: cansaço, mal-estar, uma dor leve que você atribui à correria do dia a dia.
Essa é uma das razões por trás dos 1,2 milhão de brasileiros que vivem com hepatite B ou C sem diagnóstico. É por isso que o Julho Amarelo insiste no teste mesmo sem sintomas, porque esperar sentir algo pode significar esperar anos demais.
Hepatite B: como se pega, sintomas e prevenção
Como a hepatite B é transmitida
O vírus vive no sangue e em outros fluidos do corpo, o que explica as principais formas de contágio:
- Sexo sem preservativo: principal via de transmissão no Brasil.
- Sangue contaminado: agulhas, seringas ou materiais de tatuagem e piercing sem esterilização.
- Gestação: pode passar da mãe para o bebê durante a gravidez ou o parto.
- Objetos de higiene pessoal: lâminas, alicates de unha e escovas de dente compartilhados.
Sintomas que costumam passar despercebidos
Na maioria dos casos, a hepatite B não causa sintoma nenhum. Quando aparece algum sinal, geralmente é fadiga ou mal-estar leve, fácil de confundir com cansaço comum. Por isso, o diagnóstico costuma vir décadas depois, muitas vezes junto com outro problema no seu fígado.
Não existe cura definitiva, mas o vírus pode ser controlado com antivirais gratuitos pelo SUS, o que reduz bastante o risco de cirrose.
Vacina: a principal forma de prevenção
Diferente da hepatite C, a hepatite B tem vacina, gratuita no SUS para qualquer idade e aplicada em três doses. Ela está no calendário infantil, mas se você nunca tomou, ainda pode procurar uma UBS e se proteger.
Preservativo em todas as relações e não compartilhar objetos que furam ou cortam a pele completam a proteção.
Hepatite C: como se pega, sintomas e tratamento
Como a hepatite C é transmitida
A hepatite C se transmite principalmente pelo sangue, por objetos que furam ou cortam sua pele:
- Agulhas e seringas compartilhadas: forma mais comum hoje em dia, ligada ao uso de drogas injetáveis.
- Material de manicure, tatuagem e piercing sem esterilização: risco real em procedimentos estéticos.
- Transfusão de sangue antes de 1993: a triagem obrigatória só passou a existir depois disso.
- Sexo sem preservativo e transmissão de mãe para filho: existem, mas são bem menos comuns que na hepatite B.
Beijo, abraço e talheres compartilhados não transmitem o vírus.
Sintomas: por que 80% dos casos não percebem nada
Cerca de 80% das pessoas com hepatite C não sentem absolutamente nada. Muitas descobrem por acaso, num exame de rotina ou numa doação de sangue, às vezes décadas depois de terem sido infectadas.
Quando algum sintoma aparece, costuma ser inespecífico, como cansaço ou mal-estar leve. Sinais mais claros, como pele amarelada, geralmente só surgem quando seu fígado já está bem comprometido.
Tratamento: cura em mais de 95% dos casos
Diferente da hepatite B, não existe vacina contra a hepatite C. Em compensação, o tratamento cura mais de 95% dos casos: antivirais orais, gratuitos pelo SUS, com duração de 8 a 12 semanas. Quanto mais cedo a infecção é identificada, menor o risco de sequelas no seu fígado
Como fazer o teste gratuito e se proteger no Julho Amarelo
Como funciona o teste rápido
O teste rápido para hepatite B e C é gratuito, sigiloso e não exige agendamento prévio. Basta uma gota de sangue, colhida na ponta do dedo, com resultado em até 30 minutos, disponível em qualquer UBS ou Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA). Saiba mais sobre hepatites virais no Ministério da Saúde.
Se o resultado for positivo, o encaminhamento para tratamento já começa na mesma consulta, com as mesmas chances de controle ou cura que você acabou de conhecer.
Por que testar mesmo assim
A proteção mais eficaz contra as duas continua sendo a vacina para hepatite B, o preservativo e o cuidado com agulhas, lâminas e material de manicure.
Mesmo assim, a recomendação oficial é que toda pessoa faça o teste pelo menos uma vez na vida, porque é ele quem confirma se essa proteção já chegou tarde demais. Gestantes, por exemplo, já passam por esse teste de rotina no pré-natal, mas fora esse caso, a decisão é sua.
Cuidar do fígado vai além das hepatites virais. A gordura no fígado segue o mesmo padrão silencioso e já afeta milhões de brasileiros sem que percebam
Um teste simples pode encerrar anos de silêncio
Hepatite B e C não avisam antes de avançar, mas também não deixam você sem saída. Vacina, teste rápido e tratamento com mais de 95% de cura já existem e são gratuitos. Só falta a decisão de procurar.
O Julho Amarelo termina no fim do mês, mas a possibilidade de testar continua disponível o ano inteiro em qualquer UBS. Não precisa esperar sintoma nenhum aparecer. Um teste de menos de meia hora pode encerrar anos de silêncio, antes que o fígado pague essa conta.
Perguntas frequentes sobre hepatite B e C
Não existe cura definitiva para hepatite B, mas o vírus pode ser controlado com antivirais gratuitos pelo SUS, reduzindo o risco de cirrose. A vacina, também gratuita, é a forma mais eficaz de prevenção
Sim. O tratamento com antivirais de ação direta cura mais de 95% dos casos de hepatite C. É via oral, dura de 8 a 12 semanas e é gratuito pelo SUS.
A hepatite B se transmite principalmente por sexo sem preservativo e contato com sangue contaminado. A hepatite C se transmite principalmente por sangue, em agulhas, lâminas ou materiais de tatuagem sem esterilização.
Na maioria dos casos, nenhum. Quando aparecem, costumam ser fadiga, mal-estar e dores leves. Sinais mais claros, como pele amarelada, geralmente surgem só quando o fígado já está comprometido.
O teste rápido está disponível em qualquer UBS ou Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), sem agendamento. Basta uma gota de sangue, com resultado em até 30 minutos.
